Aprendizado Espírita
Textos e ferramentas para aprender e divulgar o Espiritismo
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Ilustração: Mesa de escritor - Fonte: https://es.dreamstime.com
A Documentação Espírita

SUMÁRIO
 
Apresentação

Instrutor Guima

Cara(o) leitor(a),

Estudar Espiritismo é um trabalho artesanal de ler, observar e anotar muito, como nos recomendou o escritor e expositor espírita Deolindo Amorim. Isso pressupõe método e ferramentas. 

Pois bem, abaixo vai um resumo teórico da importância de se documentar, isto é,
ler, anotar e guardar, com método, os materiais de estudos espíritas, referências às práticas de documentação de Allan Kardec e outros estudiosos do Espiritismo, e links para textos e ferramentas auxiliares do estudo e documentação espíritas.

Vamos lá.


A documentação bibliográfica

Incumbe ao observador formar o conjunto, coordenando, colecionando e conferindo, uns com os outros, documentos que tenha recolhido.

ALLAN KARDEC, Minha iniciação no Espiritismo, Obras Póstumas

Introdução

A documentação bibliográfica é prática indispensável para atender à tempestividade e à fácil localização da informação, em todos os setores da atividade humana. Por meio de técnicas modernas, nascidas da pesquisa e da experiência de incontáveis estudiosos da metodologia científica, o trabalhador intelectual – esse consumidor de informações – pode organizar seus estudos e se documentar sistematicamente com precisão.

Conceito

Sobre a documentação bibliográfica, anotemos este primeiro conceito:
 
A documentação bibliográfica é formada pelo registro de informações específicas sobre livros, revistas, apostilas, artigos de jornais e revistas, folhetos, teses, etc.
 
Ela deve ser feita à medida que o estudante vai tomando contato com os diferentes textos ou com informações sobre determinados trabalhos escritos, tais como críticas, resenhas, apresentações etc. sobre determinado livro ou assunto que possa ser de interesse imediato ou mediato para sua atividade intelectual. [1]

Essa documentação metódica é uma forma clássica de estudo. 
 

A técnica de documentação como forma de estudo 

SEVERINO
[2] diz que:

O estudo e a aprendizagem em qualquer área do conhecimento são plenamente eficazes somente quando criam condições para uma contínua e progressiva assimilação pessoal dos conteúdos estudados. A assimilação, por sua vez, precisa ser qualitativa e inteligentemente seletiva, dada a complexidade e a enorme diversidade das várias áreas do saber atual.
.....................................................
O estudante tem de se convencer de que sua aprendizagem é uma tarefa eminentemente pessoal
.....................................................
O saber constitui-se pela capacidade de reflexão no interior de determinada área do conhecimento.

A reflexão, no entanto, exige o domínio de uma série de informações. O ato de filosofar, por exemplo, reclama um pensar por conta própria que é atingido mediante o pensamento de outras pessoas. A formação filosófica pressupõe, dialética e não mecanicamente, a informação filosófica. 

Assim sendo, a posse de informação completa de sua área de especialização e razoável nas áreas afins, assim como certa cultura geral, é uma exigência para qualquer estudante (...)
.....................................................
Essa informação só se pode adquirir através da documentação realizada criteriosamente.
.....................................................
Não traz resultados positivos para o estudo ouvir aulas, por mais brilhantes que sejam, nem adianta ler livros clássicos e célebres. Isso só tem algum valor à medida que se traduzir em documentação pessoal, ou seja, à medida que esses elementos puderem estar à disposição do estudante, a qualquer momento de sua vida intelectual.

A prática da documentação pessoal deve, pois, tornar-se uma constante na vida do estudante: é preciso convencer-se de sua necessidade e utilidade, colocá-la como integrante do processo de estudo e criar um conjunto de técnicas para organizá-la.

 

Hábitos e técnicas práticas de documentação pessoal 

São da lavra de SALOMON
[3] estas observações: 
 
A explosão bibliográfica e a necessidade de se obter a informação exata no lugar e momento exatos provocaram o aparecimento da documentação como técnica de nossos dias (...) Antes mesmo do aparecimento dos “técnicos da informação” e dos “informadores científicos”, o trabalhador intelectual praticava a atividade de documentar-se dentro de seus recursos e mediante técnicas criadas por ensaio-e-erro. Hoje é possível aliar esta iniciativa às principais técnicas modernas adaptadas para atender às necessidades do estudante e do trabalhador intelectual.
............................
A documentação pessoal deve ser uma constante na vida do estudante e do trabalhador intelectual. A labilidade da memória humana e a frequência de comunicações, informações e consultas, a que estes estão sujeitos, constituem as razões fundamentais de nossa afirmação. ............................
Convença-se, pois, o estudante (...) que a documentação pessoal é uma consequência das atividades intelectuais (...)

Constitui, ao lado da biblioteca particular, verdadeiro instrumento de trabalho (...)

A decorrência do exposto, em termos práticos de documentação pessoal é simples:

 
 convencer-se de sua necessidade e utilidade;
 colocar esta atividade como integrante do processo de estudo e hábito de leitura;
 adotar um método conjunto de técnicas para organizar sua documentação de maneira produtiva.
 

A documentação espírita 

É o codificador quem, desde a fundação do Espiritismo, assinala a importância do estudo metódico do Espiritismo:

 
Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar. (KARDEC, Allan. O livro dos médiuns, do método)

Por mim pessoalmente muito pouco me inquietaria, se meu nome não estivesse de agora em diante ligado intimamente à história do Espiritismo. Por minhas relações, naturalmente, possuo a respeito os mais numerosos e autênticos documentos que existem; pude acompanhar a doutrina em todo o seu desenvolvimento, observar-lhe todas as peripécias, como lhe prever as consequências. (
KARDEC, Allan. Revista Espírita, 1862, p. 179) (Grifamos.)
 
Também os autores clássicos do Espiritismo explicitaram sua metodologia: 
 
Agradeço sentidamente o livro do qual me anuncia a remessa e que não tardarei em receber. SOU UM GRANDE ARQUIVADOR, DE FATO, e aquele que envia livros, opúsculos, retalho em jornal contendo fatos bem documentados, rende-me pessoalmente um significativo serviço, e o faz por tabela à causa também. (BOZZANO, Ernesto. Carta a Carlos Imbassay, em data de 08/07/1927. In O Clarim, de 15/09/1983)

Alguns (...) colaboradores que não conhecem, conhecem mal ou fingem desconhecer a doutrina palingenésica, talvez não façam o esforço necessário para se documentar ou responder com imparcialidade. (
GELEY, Gustave. In Resumo da Doutrina Espírita, p. 145/46, Lake, SP, 1975).

Carlos Imbassahy possuía cadernos onde anotava passagens, citações etc., de que se servia para os seus trabalhos intelectuais. (
MARIA IMBASSAY. In O Clarim, entrevista sobre as atividades espíritas do marido)

Desse panorama histórico, vê-se que na Doutrina Espírita a pesquisa científica e bibliográfica aparece suportada por metódica documentação.  
 
 

Kardec, um sistematizador

Na fase de sua vida anterior ao Espiritismo, Kardec escreveu obras didáticas, fundou e dirigiu instituições de ensino, desenvolveu projetos de reforma da instrução e prestou serviços à Universidade de França, como diretor de estudos. Em 1847, apresentou um projeto de reforma da lei de ensino, no qual demonstrava a necessidade da adoção das obras clássicas na Universidade e orientava a redação dos compêndios escolares. Em 1843, na introdução do seu Catecismo Gramatical da Língua Francesa escreveu: a clareza e a simplicidade são os principais méritos de uma obra destinada a principiantes.

Nessa sua fase de educador, divulgou os métodos e as práticas de estudos de Pestalozzi, seu mestre em Yverdun, Suiça, onde estudou. Como professor, pedagogo e escritor fez uso de avançada tecnologia metodológica e pedagógica, aplicando-a na criação e difusão de métodos apropriados à transmissão do conhecimento, no ensino da Matemática, da História, da Biologia, da Química, da Gramática, para principiantes e para universitários. Nas obras editadas nesse período, já podemos ver a capacidade de raciocínio metódico, o notável poder de síntese, o documentador sistemático. Esses anos de atividades pedagógicas foram o campo de experiências e de preparação daquele que se tornaria um SISTEMATIZADOR ABSOLUTO – qualidade singular do missionário do Espiritismo.

E não foi diferente a sua fase espírita. Ficaram consignadas em suas obras indicações do seu gênio sistematizador:

 
Em nossa posição, recebendo as comunicações de cerca de mil centros espíritas sérios, espalhados pelos diversos pontos do globo, estamos em condições de ver quais os princípios sobre que essa concordância se estabelece. (KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução)

Muitas comunicações nos foram enviadas por diferentes grupos (...) Fizemos o seu exame e classificação, e não fiquem admirados da impossibilidade de publicá-las todas, quando souberem que além das já publicadas, há mais de três mil e seiscentas que, por si sós, teriam absorvido cinco anos completos da revista, sem contar um certo número de manuscritos mais ou menos volumosos... (
KARDEC, Allan. Revista Espírita, 1863, p. 153)

Também importa saber por que meios pode triunfar, e quais as pessoas que, por seu zelo, seu devotamento, sua abnegação, terão contribuído eficazmente para a sua propagação. Aqueles cujos nomes e atos merecerem ser assinalados para o reconhecimento da posteridade - é um dever que me impus – terão seus nomes inscritos nas minhas fichas. (
KARDEC, Allan. Revista Espirita, 1862, p. 179)

Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas, e muitas vezes remodeladas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que apareceu em 18 de abril de 1857. (
KARDEC, Allan. Obras Póstumas)

Preferimos aguardar a reimpressão do livro para fundir tudo junto, e aproveitamos o ensejo para empregar na distribuição dos assuntos uma ordem bem mais metódica, ao mesmo tempo que suprimimos tudo quanto fosse repetição inútil. (
KARDEC, Allan. Revue Spirite, 1860, p. 96 do original francês)

Convencido da verdade desta doutrina, e do bem que ela está convocada a produzir, tratei de lhe coordenar os elementos; esforcei-me por torná-la clara e para todos inteligível. (
KARDEC, Allan. Revue Spirite, 1861, p. 356 do original francês)

Outro trabalho consiste nas pesquisas bibliográficas. Existe um grande número de obras antigas e modernas, nas quais se encontram testemunhos mais ou menos diretos em favor das ideias espíritas. Uma coleção desses testemunhos seria tarefa muito preciosa, mas é quase impossível que seja feita por uma só pessoa. Ao contrário, torna-se-ia fácil, se cada um quiser colher alguns elementos em suas leituras e estudos e transmiti-los à Sociedade de Paris, que os coordenará. (
KARDEC, Allan. Revue Spirite, 1861, págs. 383/84 do original francês[4]
 
 

Kardec e a informática

Sobre esse tema, merece ser transcrito o que escreveu Krishnamurti de Carvalho Dias: 
[5]
 
Kardec, professor de lógica, usou sempre metodologia claramente reconhecível como informática, um caso curioso, pois o termo só iria ser criado um século depois.

Praticou processamento de dados, de modo natural, como um processador humano, biológico, fazendo-se centro e alvo de um circuito inteiro de fontes informativas, donde partiam fluxos de dados, as comunicações mediúnicas, os relatórios de pesquisas, de trabalhos, de experimentação. 

Estava em 1864 em contato com cerca de mil centros. A Revue era uma forma de contactar milhares de assinantes, em numerosos países e, por meio deles, acessar a realidade, por assim dizer, mundial, quanto ao espiritismo.

Nada mais edificante do que ler a Introdução a O Evangelho segundo o Espiritismo, no tópico AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA onde descreve o seu princípio informático, critério, como lhe chamava. 
 

Documentação e avanço tecnológico

Não se pense que o avanço tecnológico – textos on-line, e-books, editores de textos – superaram os métodos e técnicas acima. A informática e a internet mudaram a forma de ler, de observar, de pesquisar, de anotar, agilizando e facilitando enormemente as tarefas, mas não dispensam o trabalho árduo e paciente de quem se propõe a estudar e aprender com método. 

Desse modo, todos os recursos e técnicas de livros, papéis, anotações e arquivamentos aqui mencionados podem ser adaptados à tecnologia virtual. Na verdade, no trabalho intelectual, esses dois mundos – o físico e o virtual – são complementares, e devem conviver e se ajustar harmonicamente.


Veja estes textos:
- GUIMARÃES, Antônio Carlos. Ferramentas para estudar e divulgar o Espiritismo - Site Aprendizado Espírita Net - Disponível aqui
- GUIMARÃES, Antônio Carlos. Organizando um fichário de leituras espíritas - Site Aprendizado Espírita Net - Disponível aqui

Outros materiais de interesse

Veja também estes materiais auxiliares do estudo e documentação espírita:
  

- GUIMARÃES, Antônio Carlos. A documentação bibliográfica - No estudo pessoal da doutrina espírita - Site Aprendizado Espírita Net - Disponível aqui
- GUIMARÃES, Antônio Carlos. GEDE - Guia de Estudos da Doutrina Espírita - Site Aprendizado Espírita Net - Disponível aqui
- GUIMARÃES, Antônio Carlos. Gestão do conhecimento e Doutrina Espírita - Revista Digital Espírita O Consolador/EVOC - Disponível aqui

 
 
Referências

[1]  GALIANO, Guilherme. O método científico, p. 101, HARBRA, SP, 1979.
[2] SEVERINO, Antônio. Metodologia do trabalho científico, p. 109/11, passim. CORTEZ EDITORA, SP, 1986. 
[3]  SALOMON, Délcio V. Como fazer uma monografia, págs. 105/107 passim. INTERLIVROS, 1978.
[4] O primeiro Catálogo de obras espíritas deve-se ao próprio Allan Kardec, que em 1869, sob o nome de Catalogue Raisonné des Ouvrages Pouvant Servir à Une Bibliotéque Spirite. Há entre nós uma tradução da FEB e outra da Madras.
[5] DIAS, Krisnamurti de Carvalho. Jornal Espiritismo e Unificação - Santos, SP, n. de Jan/Fev-1984, p. 5

 

ALGuimaraes
Enviado por ALGuimaraes em 03/08/2017
Alterado em 09/08/2017


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